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Novelos e Novelas - Du Arte

Novelos e Novelas - Du Arte

20
Nov17

1711 Manual para Burros

Artur Duarte

Caro (pelo menos para os lagartos) Bruto Pra C…

Registo com satisfação o facto de Vexa ter publicado aquilo que designa “Um manual para burros”, só alguém com forte conhecimento, experiencia e envolvência com estes mamíferos perissodáctilos, poderia incumbir-se de levar a cabo tão espinhosa missão.

Um ser tão erudito, bem-educado, estiloso e charmoso escrever um manual para os seus confrades, é um hino à criação artística e um importante contributo para o conhecimento dos seres da sua espécie. Registo também, que tenha rematado o seu depoimento com o conselho (é assim que o entendo) de mandar os seus coleguinhas para a bardamerda, que numa interpretação livre deve ser uma abreviação da borda da merda. É sensato que queira manter limpos aqueles que consigo não pactuam, afugentando-os da caca onde permanentemente vexa chafurda.

Já agora não sentirá vexa algumas comichões debaixo do alforge que carreia?

Eça Valente Piçarra

03
Nov17

1711 O roubo das munições

Artur Duarte

Querida Gertrudes,

Como sabe querida tenho andado muito pela província, e tenho visto algumas coisas que desconhecia.

Os provincianos são uns queridos, algumas vezes parecem um pouco inconvenientes, mas não o fazem por querer, sabe querida, não sabem mais… repare até que já me mandaram para o carvalho, e eu que não estou habituada ao vernáculo da província, até ia levando a mal, mas coitadinhos, eu é que estava equivocada, pois pelos vistos um carvalho é uma arvore que existe aqui pelas aldeias, em cuja sombra os pobrezinhos descansam. Veja lá o que tenho aprendido, já sei que as laranjas crescem em árvores que se chamam laranjeiras, e as batatas crescem depois de enterradas., é uma coisa muito estranha, mas lá que é assim é.

Vem isto a propósito de outro fenómeno natural que desconhecia. Parece que os amigos militares estão em crise, veja lá a tia ao que chegámos, uma instituição tão nobre e com falta de dinheiro… mas veja bem, o tio Rabisco, o chefe das tropas, também deve ter andado pela província, e vai daí, sabendo como se reproduzem as batatas, como é muito esperto, resolveu testar um método de reprodução de munições, então deve ter “tefonado” lá para uma terrinha chamada Tancos ou Tanques, assim um nome de parvónia, e instruiu os tropas para enterrarem as munições a ver se elas cresciam. Como esta experiencia era “top secreta”, não avisou o tio Azedo do governo, pelo que teve de simular um roubo das sementes (é assim que se chamam ás batatas que são enterradas), esperou uns meses, e não é que a experiencia resultou? Pois é querida, então não vá lá saber-se , que quando desenterraram as munições, algumas se reproduziram. Bravo general Rabisco… já sei, para estrumar a terra deve ter mandado um contingente de tropas que empunhando as respectivas mangueiras, estrumaram devidamente a terra, a isso aqui na província, veja lá, chamam água choca… que queridos! Mas lá que resultou , resultou, o tio Rabisco é o máximo. Já dizem que pelo fenómeno ter acontecido numa zona perto do Entroncamento, é mais um fenómeno do dito cujo, só que aqui a sua amiga não acredita. Isto é ciência!

Olhe tinha muito mais para lhe contar, mas já tenho a mão dorida de tanto escrever, se a tia quiser saber mais novidades “tefone-me”.

Então vá, beijinhos da sua sempre amiga,

Hermengarda

 

03
Nov17

1711 Arsénio Sexual

Artur Duarte

O Arsénio sexual

Caros amigos,

Dirijo-me apenas aos amigos, pois com muita pena tenho, neste caso, de deixar de fora as amigas, a quem esta epístola apenas pode interessar para informação.

Recebi da Igreja Preparatória das Benvindas a Deus, lá dos “Unaitide Seteites” um guião de comportamentos que quero convosco compartilhar. Ele tem a ver, como poderão verificar, com a forma que se deve guiar a actuação dos homens na sua relação com o sexo oposto,  principalmente aqueles com alguma exposição mediática. Assim, entre muitas outras coisas que me dispenso por agora de elencar,  recomendam:

- Deverá ser interdita, toda e qualquer relação, que não cumpra os cânones da moral e das boas maneiras, nomeadamente, palpadelas no traseiro, beijos à socapa e expressões menos próprias, ainda que possam obtido o consentimento tácito da interlocutora.

- As meninas com menos de dezoito anos, deverão usar um crachá, ou broche, se preferirem, com um sinal de transito proibido, para evitar que a elas qualquer homem, jovem ou menos jovem se lhes dirijam. Pinar antes dos dezoito anos, passará a ser um pecado passível de ser considerado crime publico,

- Palavras como boa, ou boazona, só deverão ser utilizadas como adjetivos caritativos, estando expressamente proibida a sua utilização com intuitos gastronómicos.

- Qualquer entrevista para obtenção de emprego por parte de uma senhora ou menina, conduzida por um homem, deverá ser presenciada pelo menos por meia dúzia de testemunhas do sexo feminino devidamente credenciadas:

Parágrafo Único – Será sempre suspeita qualquer escolha que possa ter sido induzida por atributos sexualmente reconhecidos, como  a beleza do corpo das candidatas,

- Fica expressamente proibido, dançar ao som de músicas de criar família, que os anglicanos designam como “slow”…

- Se alguma mulher se insinuar a um homem, este deve manter-se desinteressado, numa postura de mariconço,

- Considera-se como norma, que o comportamento das mulheres é sempre inocente e guiado pelos sãos princípios da moral e dos bons costumes, pelo quaisquer comportamentos desviantes são assacados à interferência pecaminosa dos homens.

- Qualquer crime desta natureza, só prescreve, quando o suspeito encomendar a alma a Deus, pelo que se antes, alguém apresentar uma queixa, a mesma será considerada pelo Ministério Público, e passível de condenação a  indeminização e outras penas acessórias.

NOTA FINAL – Abomino os que se fazem valer da sua posição para obter favores sexuais, seja de quem for, mas entendo que o caminho que vem sendo prosseguido, principalmente nas sociedades anglo-saxónicas se afigure demasiado injusto e perigoso, conduzido por conceitos moralistas e retrógrados, que não deveriam ter lugar nas sociedades do século XXI.

26
Mai17

17 05 Carta aberta ao Armado Cardos

Artur Duarte

Carta aberta ao Armado Cardos

Caro Armado Cardos

Sei que o meu amigo tem um negócio e como qualquer empresário que se preze,  tem de o levar para a frente custe o que custar.

Se bem entendo o seu negócio é granjear clientes interessados em verem aumentados os seus salários e trabalharem quanto menos melhor. Não o quero ofender dizendo isto, pois esses objetivos são humanos e perfeitamente compreensíveis.

Dito isto assim, caríssimo, o senhor terá tanto mais sucesso quantos mais forem os seus clientes, não só pelas quotas que pagam, mas também pelo efeito mobilizador junto de outros que ainda não pertencendo à sua carteira o possam vir a fazer.

Vai daí o seu papel será o de obter para o seu cartel as maiores vantagens possíveis, ora negociando, ora tomando posições de força que levam os seus interlocutores a aceitarem as suas exigências.

Só que estas, desculpe dizer-lhe não raras vezes são cegas, pois o senhor e alguns dos seus braços direitos, como a menina Aninhas Papoila e o Mago Nojeira, não entendem uma coisa simples, para distribuir seja o que for é preciso que exista o que repartir, senão pode fazer com que muitos dos seus clientes percam o emprego e vai daí deixam de recorrer aos seus prestimosos serviços. Bem sei que pouco se importa com os que não estão empregados, ou mesmo com aqueles que não prestando serviços ao Estado, não se sentem tão à vontade para entrar nas vossas lutas… mas olhe que isso não é inteligente, quantas mais pessoas tiverem ocupação, maior é o seu campo de recrutamento de clientes.

Depois, deixe-me dizer-lhe, os senhores comportam-se como aqueles que vendo uma camisa lavada, ou o farnel um pouco mais nutrido do vizinho, logo reivindicam para si iguais preparos. Aconselho-os que tenham calma, peçam o que for possível, pois os impossíveis são demasiado caros e os milagres só em Fátima, e não sei se não fechou para obras.

Mas também entendo que só o barulho muitas vezes vos faz notados e serve como um certificado de existência, mas não queira ir pelo caminho mais fácil arregimentando aqueles que estão sempre disponíveis para atender às vossas solicitações, porque não tenta também aqueles que não são tão reivindicativos quanto os que vivem debaixo do guarda chuva do Estado. Por ter medo? Ou porque sabem que aí o conforto não é tanto e se as coisas correrem mal, os desgraçados receiam ir engrossar o regimento daqueles que não serão tão cedo vossos clientes.

Bem sei, que inteligente como é, tenta enfiar o máximos de pessoas nas vossas lojas bandeira, mas atenção que aí também há limites e se as quebra a coisa pode dar para o torto.

Depois, sabe, há muitas pessoas que ficam chateadas por os filhos não terem escola, pelos blocos operatórios não funcionarem, pelos transportes não os levarem onde precisam, e se a coisa acontece uma vez por outra, paciência… é o vosso trabalho, mas se começa a ser um hábito, a popularidade da sua empresa esvai-se.

Oh homem tome uns xanaxes, mantenha-se calmo, faça as contas bem feitas com a arte do possível e já agora diga à Aninhas Papoila que faça o favor de me dispensar da tortura de a ver frequentemente nos noticiários matinais.

26
Mai17

17 05 A angústia do Ai Jasus

Artur Duarte

A angústia do Ai Jasus

O Ai Jasus estava em pulgas… finalmente o mundo, que tão adverso lhe tem sido desde que trocou um clube ganhador por outro, que enfim, se habituou a perder,  parecia sorrir-lhe!

Aguardava impaciente uma chamada do seu amigo, Enterro Em Ristes… aquele que há muito, desde o tempo do Porro, sonhava trabalhar com o mestre da tática. O homem está em alta, depois de deixar em bom tempo, as aflições para o amigo Pingo de Bosta, ia assumir uma importante função no Parrí SG, e como bom amigo havia-o, a ele o Ai Jasus, indicado para substituir o castelhano que até agora tem  comandado as tropas da melhor equipa da cidade luz… por falar em luz, que saudades!

Já tinha ido arrumar o cabelo e as nailes à Sereneide, pois esperava ansioso pelo convite que a confirmar-se o haveria de transportar ao púlpito da alta roda do fute franciú e porque não dizê-lo mundial! Logo era essencial cuidar da imagem.

O problema parecia estar no emplastro… sim, o seu ex-amigo Bruto Pra C…, que só quis ganhar protagonismo à sua conta. O Borda merda, que agora como está mais magro, quer virar treinador! Será que o Enterro o irá convencer a deixar Al Baladas? Que angústia!

Já comprou umas cassetes , que ensinam a parlar francês, a coisa é difícil, mas não há alternativa. Estava orgulhoso em se poder dirigir aos jornalistas, dizendo “Bonjurre” e “bom travaia”, como diz o Roi Bitoque. Já se estava a ver discursar num palanque instalado na torre Ei Fel, dizendo:

“Monsiuas e Monsius”, em premierre je “quero” dizer que o SG por muá é terré impertante. Fumei muitos paquetes dessa marque, e “nã adivinheva” que um jurre ainda havia de “entreinar” o SG . Je suíno terré contante!

Je espero que não venha a ter problemes avec o quatro vintes, que jé comprido que em ferrancé quer dizer oitchenta! Je ne quero pá perder jogos aos quatro vintes e oito, parce que nunca fumei “três Vintes”, quanto mais quatro!

Je coné terré bian o team do SG, o Gonçálô, o Cavanas, o Da Maria, o Tio Agô e até aquele com nome de detergente, o Drexler.

On vai ganhé le pro chão championate!

Vive La France.

Quando se aprestava para receber a ovação da multidão, acordou e desiludido continuou à espera que o telefone toque.

18
Mai17

17 05 A Santa Aliança III

Artur Duarte

A Santa Aliança III

Encadeados pela forte luz que imana dos milhões de candeeiros e lampiões que um pouco por todo o mundo se acenderam em comemoração faustosa dos êxitos de exercito do Rói Bitoque, os comunicadores dos Dragados e de Al Baladas resolveram reunir…

Um pouco embrutecidos pelos líquidos absorvidos durante o repasto, resolveram  comunicar à nação que tinham feito as pazes e que se preparavam para colaborar na peregrina missão de apear o Boafiga do maldito hábito de não os deixar pôr a mão no prato.

O Franjota Traques, vestido à Salazar, com botas de elástico e tudo discorria:

- Caro Nonozinho “bamos” ter de colocar um “end” nesta novela… sou alérgico a candeeiros e por minha vontade no Porro eles já deviam estar exterminados. Aliás já sugeri ao Duque Pingo de Bosta que falasse com o maior da cidade, aquele que há quatro anos espera por nós na camara, no sentido de os botar todos a baixo. Só que eles fogem, e pelos vistos concentram-se agora lá para a Boa Bista.

- Ai eu também não posso com candeeiros e  lampiões ainda pior… então aqui na Lismoira é uma desgraça, são xusmas deles e ainda para mais barulhentos e altamente perigosos. O que vale é o meu físico, se não até tinha medo e sair à rua.

- Porra Nónó também não é preciso tanto carago. Se “bires” que tal peço ao Macaco e ele manda prá qui o Canelas, sabes que os amigos são prás ocasiões.

- Então vá, se precisar “tefono” a pedir ajuda. Mas olhe Traques fico satisfeito por nos ver como amigos, sabe também eu concordo que quando o adversário é forte temos de lutar com sabedoria para os derrotar.

- É isso mesmo, carago, temos de deixar as “desabenças” pra trás e olhar prá frente pra dar cabo dos candeeiros. Se queres peço ao Pingo pra dizer ao Cadeira pra apertar a mão do teu conde.

- Não diga que você faz isso…

Dito isto o Granizo levantou-se para dar um abraço ao Traques, com o movimento este soltou mais um “bento” mal-cheiroso…

- Mas olhe  há uma condição, o Bruto Pra C… exige que lhe sejam reconhecidos mais quatro campeonatos – sabe é para encurtar administrativamente a distancia para o nosso inimigo comum e além do mais sempre ajuda o meu conde a cumprir uma promessa – ganhar neste mandato tantos campeonatos quantos os lampiões.

- “Bou” “ber” se dou um jeito… se é só isso não “debe” custar muito, e sempre me ficas a “deber” um “fabor” – respondeu o Traques com um sorriso matreiro.

- Então se concordar vou dar a assinar uma carta que o meu Conde vai endereçar ao seu Duque, solicitando o fim do corte nas relações. Vamos dar cabo do Biqueira!

- Deus te ouça… quando recebermos o vosso sobrescrito respondemos na volta do correio.

Selaram o acordo com um forte abraço e o Traques arrotou de satisfação.

Só registamos um pequeno incidente… saíram sem pagar a conta! Os tempos para aqueles lados  estão mesmo difíceis!

18
Mai17

17 05 A Santa Aliança II

Artur Duarte

A Santa Aliança II

Pelo Condado de Al Baladas, as coisas não estão a correr bem…

Depois de correrem com o Liso Godinho, um conde sem jeito para a coisa, a verde esperança renasceu… o novo suserano, um rapaz ainda novo mas, por gostar muito de chocolates, gordo e anafado resolveu mudar de estratégia.

Chamou para junto de si um velho bombeiro especializado em atear incêndios e resolveu ir à luta!

Quiçá inspirado no amigo Kim, logo que entrou em funções começou a beligerar… primeiro foi com o Porro; como o administrador  Ai Dalino Cadeira, amigo do Pingo de Bosta,  não lhe prestou a vassalagem devida, levaram em retaliação com um corte nas relações – não sabemos bem onde ficam, mas devem estar abaixo do umbigo - e só não foram de imediato destruídos pela feliz circunstancia do míssil disparado pela bunda do Bruto Pra C… ter perdido altitude e aterrado para os lados da Ameixoeira.

Aberta a guerra com o Porro viraram-se para o vizinho da Boafiga, procurando de imediato envenenar o Biqueira e a sua equipa de Pé-Bola, então um exercito em ascensão comandado pelo general Ai Jasus.

Chamou para comandar as tropas um conceituado jardineiro, que embora esforçado, melhorou as coisas, mas não ganhou, e vai daí levou com um pontapé no coxis e foi pregar para outro condado. Não ganhou… rua! Passou a ser a filosofia do novo Kim.

De seguida foi buscar um Marto à linha de Cais Cais. Agora é que ia ser, os inimigos que se afastassem e desamparassem a loja, que uma passadeira verde se iria estender rumo à glória. O Bruto chegou a mandar fazer para si uma túnica esmeralda, que haveria de servir de modelo à estátua que apearia o Marques do pombal com o seu nome. Só que à primeira contrariedade o Bruto Pra C… disparou um foice no pobre do Marto, que apesar de ainda ter trazido para Al Baladas um tacinha teve o destino do outro… Rua!

Já desesperado, o Bruto, esperto, resolveu sacar ao inimigo o seu comandante em chefe, o General Ai Jasus… não olhou a meios e embrulhou a aquisição num verdadeiro manto de ouro, e ainda por cima de longa duração. Mas não foi só no General que investiu, reuniu um séquito de apoiantes maldizentes superiormente orientados pelo Otário Malvado, uma língua suja bastante reconhecida no meio. Agora é que ia ser… o Biqueira levaria que contar, ria-se intimamente da coceira que seguramente tinha provocado ao inimigo. As coisas ainda começaram bem, ganharam mais uma tacita e as primeiras batalhas contra o inimigo até correram bem, mas no fim foi mais do mesmo… perderam!

O Ai Jasus lá convenceu o Bruto a engordar-lhe os bolsos e a aconselhar mudanças nas comunicações, sempre as comunicações! E vai daí, foi buscar para dirigir o departamento o conceituado, Nónó Granizo, que lhe fez a vontade de disparar em todas as direções. Só que pelos vistos a técnica da balística continuava por aperfeiçoar e as ogivas em vez de caírem em cheio nos lampiões, ficaram-se pelos telhados, ou Telheiras… não se sabe bem! Mas mais importante do que tudo isso são os resultados… mais do mesmo, jogar como nunca e perder como sempre!

Pobre destino canta este fado.

18
Mai17

17 05 A Santa Aliança I

Artur Duarte

A Santa Aliança I

Depois de largos lustros de abundancia, a fome caiu lá para os lados de Contumil.

Há quatro anos que uma peste vermelha caiu sobre os exércitos dos Dragados, não deixando medrar nada, tudo o que semearam morreu às mãos do Biqueira…

O duque Pingo de Bosta, bem se tem esforçado por combater a desgraça, sem o vigor de tempos idos, isto de ir para velho não afeta apenas os servos, bem tentou com doses de fruta, café e leite reverter a situação, mas nada… estamos noutra época e segundo nos confidenciaram parece que a coisa agora não vai lá só com  alimentação. Mas não ficou só por aí o grande duque, mandou embora o sortudo do Vitó Peneira um general ganhador mas mau estratega, e foi o buscar para comandar o exército um cara linda de cabelo à Tintim, chamado Paulo Foi Seca, que depois de um começo promissor, foi mesmo uma seca, tendo dado o fora mesmo antes de acabar a batalha… um desertor!

Perante isto, o duque deixou de confiar nos generais tugaleses e pensando, pensando, resolver ir contratar um Barão vasco de renome, embora sem grandes créditos, o Lopatego. Esse esperto resolveu contratar uma meia dúzia de escudeiros da sua confiança, pagos a durões de ouro, que levaram o Ducado dos Dragados ao descalabro financeiro. Mas resultados, nem vê-los… os exércitos do Biqueira comandados primeiro pelo Ai Jasus e depois pelo Bitoque continuaram a dar-lhes nas trombas, o duque ainda tentou dar-lhe uma outra chance, mas a meio da coisa, lá teve de mandar o Lopatego apanhar caracoles, e foi buscar para o resto da batalha o conceituado general Pé Frio, que prosseguiu o desastre.

Com os coisos a apertarem-se-lhe resolver pedir proteção divina, falou com o Espírito Santo, o lá do alto que por aqui, os da terra, também entraram em crise, e foi-lhe recomendado para chefiar o exercito, o Nésinho Sacristão, um cristão bem educado, bom em desenho, mas desambientado da selva de macacos do ducado, pelo que para o Pingo de Bosta, para mal dos seus muitos pecados, a história repetiu-se, foi madrasta, e perderam mais uma guerra.

 Entretanto a corte começou a desmembrar-se, primeiro foi o Angelinho, rapidamente substituído na pasta das depauperadas finanças pelo Capachinho Comes, e até o bom do Enterro Em Riques, resolveu dar de frotes…

Contrataram  diretamente da Ucrânia para substituir o até então fiel escudeiro do Duque, um engenheiro, que depois de verificar o estado da máquina chegou à conclusão que o problema estava nas comunicações… a fruta já não estava a chegar em bom estado aos consumidores habituais, que dessa forma preferiram abancar com os vaucheres do Biqueira . Consumido com a situação o bom do Duque resolveu chamar o Xico Traques, que rapidamente começou a deitar ventosidades mal cheirosas no Canal do Porro, tentando atingir os candeeiros, não se sabe se da Foz se de São Domingos da Boafiga.

Só que mesmo assim a coisa não pegou e perderam o cão pionato!

26
Abr17

17 04 O Infantário da Bola

Artur Duarte

O Infantário da Bola

O menino Brutinho estava numa crise de birrice insuportável. Já se tinha atirado para o chão uns bons pares de vezes e nem as repetidas tentativas do seu coleguinha inseparável Nónó Granizo de o acalmar o consolavam.

Tinha-se metido com um menino de outra turma, um rufia chamado Lisinho, também conhecido por Kaidaí, as coisas meteram sopapos, insultos, arranhões e outras formas de bulha… o Brutinho tinha a mania que era mais forte e esperto que os outros, e escudado nos meninos Ai Jasus, um mestre da tática de combate, no Otário Malvadoe, um eloquente palrador e do Mustavai, um rapazinho encorpado, mas um pouco dado à burrice, pensava que ia dar pau à séria; só que as coisas não correram bem, e os meninos da outra turma, não só se defenderam como contra-atacaram e a coisa pôs-se feia para o Brutinho e seus amigos. Em face da situação, foi aconselhado pelo Nónózinho, com a ajuda do tio Baboso, a solicitar uma trégua aos adversários; vai daí escreveu uma carta muito bonita a propor a paz ao Lisinho, só que como é muito esperto... não se limitou a epistolar, meteu uma boa dose de veneno no sobrescrito, no sentido de provocar uma monumental caganeira ao inimigo.

Só que o rufia do Lizinho, como costuma dizer não nasceu ontem, ao ver de onde vinha a missiva tomou as suas precauções e facilmente detetou a marosca, vai daí não só não aceitou o convite como comparou o grande líder da turma rival ao Balde D´Azeite, um menino que tinha passado há alguns anos pela escola e que era considerado o paradigma da trafulhice. Chamar a alguém Balde d`Azeite é para aquelas bandas um grande insulto. O Nónózinho não queria acreditar na investida do Lizinho, o tio Baboso ficou de tal forma arreliado que escreveu um panfleto de protesto, o Bruto reagiu como pôde, mas ficou profundamente abalado, de tal forma que se agachou a falar com outro rival, o Pinguinho, com quem até estava chateado, só que neste caso o nível de chateamento era bem menor do que o que mantinha com o Lizinho. Acresce, para dramatizar o enredo, que a turma do Brutinho não tinha honrado com uma promessa que tinha feito ao Pinguinho de o ajudar na luta contra os amigos do Lizinho, pelo que a coisa não estava fácil, mas como dizem os Patistas, não havia alternativa, era necessária uma aliança que derrotasse o Kaidaí.

O Pinguinho estava mesmo chateado, quando pensava dar cabo da turma do Lizinho, as perspetivas saiam sempre furadas e não raro acabava por levar nas trombas, chegou a pensar que com a ajuda da turminha do Brutinho as coisas se compusessem, mas nada, quando menos se esperava também esses levaram nas trombas. Avaliada a situação o Pinguinho lá aceitou participar numa cimeira de perdedores que foram a Oeiras fazer queixa ao director.

18
Abr17

1704 JMT A Justiça e o jornalismo

Artur Duarte

João Miguel Tavares

A Justiça e o jornalismo

Hoje na sua crónica habitual no Público JMT discorre a propósito de uma entrevista de Dias Loureiro, sobre a justiça e o jornalismo, insinuando que o facto de a entrevista de Dias Loureiro ao DN só ter sido possível pelo facto de Proença de Carvalho (o advogado do arguido agora ilibado) ser presidente da empresa proprietária desse periódico.

Mas mais, insinua que as criticas do colonista do DN, Pedro Marques Lopes e o subdiretor da TSF, Anselmo Crespo, ao despacho do MP que iliba Dias Loureiro por falta de provas, embora mantendo a convicção que o homem é culpado, fundam-se na mesma razão, o facto de Proença de Carvalho ser presidente da Global Média… são pois, todos uns vendidos!

Como não podia deixar de ser, tinha de haver uma referencia ao seu inimigo de estimação, o José Sócrates… e a todos os colunistas que se insurgem contra a demora em acusar o antigo primeiro ministro. Para JMT isso é normal e com toda a certeza para ele, bastaria os indícios publicados no Correio da Manhã para condenar o homem ao degredo ou em alternativa à pena capital, como muito bem defende esse democrata impoluto chamado Erdogan.

Critica veementemente aqueles que não concordam com a inversão do ónus da prova no enriquecimento ilícito, na não introdução da delação premiada (mas não será isso que o MP concedeu ao Bataglia?), com a simplificação de prova em casos de corrupção (induzo que para JMT, bastaria que o procuradores Rosário ou a  Cláudia Porto tivessem a convicção da culpabilidade dos arguidos para que os mesmos fossem condenados), na demora das investigações e nas fugas ao segredo de justiça, escarrapachadas nas primeiras páginas dos órgãos de informação convenientes. Isso sim, era uma Justiça honesta. Institucionalizava-se uma nova forma de bufaria e as condenações seguiam os critérios do Correio da Manhã e outras publicações sérias, pois pelo visto os que não estão de acordo com o JMT são todos uma cambada de corruptos.

Podemos ter sérias suspeitas sobre o comportamento do Dias Loureiro, do Sócrates, do Vara e tantos outros, mas isso não nos dá o direito que os condenemos na praça publica, que emporcalhemos os seus nomes durante anos e anos, e que se demore tempos infindáveis em investigações que muitas vezes dão em nada, só um tribunal que se pronuncie e condene com base em provas irrefutáveis pode desempenhar esse papel.

Portanto meu caro JMT, se a sua visão sobre o que é a Justiça é a que avoga neste artigo, admito poder aos seus olhos, ser cúmplice daquilo que designa ser o estado moralmente miserável em que nos encontramos. Mas também lhe digo que não aceito que, negando os bons princípios do direito, não haja o risco de se cometer barbaridades, mais parece-me que o inverso é mais plausível.

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