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Novelos e Novelas - Du Arte

Novelos e Novelas - Du Arte

26
Abr17

17 04 O Infantário da Bola

Artur Duarte

O Infantário da Bola

O menino Brutinho estava numa crise de birrice insuportável. Já se tinha atirado para o chão uns bons pares de vezes e nem as repetidas tentativas do seu coleguinha inseparável Nónó Granizo de o acalmar o consolavam.

Tinha-se metido com um menino de outra turma, um rufia chamado Lisinho, também conhecido por Kaidaí, as coisas meteram sopapos, insultos, arranhões e outras formas de bulha… o Brutinho tinha a mania que era mais forte e esperto que os outros, e escudado nos meninos Ai Jasus, um mestre da tática de combate, no Otário Malvadoe, um eloquente palrador e do Mustavai, um rapazinho encorpado, mas um pouco dado à burrice, pensava que ia dar pau à séria; só que as coisas não correram bem, e os meninos da outra turma, não só se defenderam como contra-atacaram e a coisa pôs-se feia para o Brutinho e seus amigos. Em face da situação, foi aconselhado pelo Nónózinho, com a ajuda do tio Baboso, a solicitar uma trégua aos adversários; vai daí escreveu uma carta muito bonita a propor a paz ao Lisinho, só que como é muito esperto... não se limitou a epistolar, meteu uma boa dose de veneno no sobrescrito, no sentido de provocar uma monumental caganeira ao inimigo.

Só que o rufia do Lizinho, como costuma dizer não nasceu ontem, ao ver de onde vinha a missiva tomou as suas precauções e facilmente detetou a marosca, vai daí não só não aceitou o convite como comparou o grande líder da turma rival ao Balde D´Azeite, um menino que tinha passado há alguns anos pela escola e que era considerado o paradigma da trafulhice. Chamar a alguém Balde d`Azeite é para aquelas bandas um grande insulto. O Nónózinho não queria acreditar na investida do Lizinho, o tio Baboso ficou de tal forma arreliado que escreveu um panfleto de protesto, o Bruto reagiu como pôde, mas ficou profundamente abalado, de tal forma que se agachou a falar com outro rival, o Pinguinho, com quem até estava chateado, só que neste caso o nível de chateamento era bem menor do que o que mantinha com o Lizinho. Acresce, para dramatizar o enredo, que a turma do Brutinho não tinha honrado com uma promessa que tinha feito ao Pinguinho de o ajudar na luta contra os amigos do Lizinho, pelo que a coisa não estava fácil, mas como dizem os Patistas, não havia alternativa, era necessária uma aliança que derrotasse o Kaidaí.

O Pinguinho estava mesmo chateado, quando pensava dar cabo da turma do Lizinho, as perspetivas saiam sempre furadas e não raro acabava por levar nas trombas, chegou a pensar que com a ajuda da turminha do Brutinho as coisas se compusessem, mas nada, quando menos se esperava também esses levaram nas trombas. Avaliada a situação o Pinguinho lá aceitou participar numa cimeira de perdedores que foram a Oeiras fazer queixa ao director.

18
Abr17

1704 JMT A Justiça e o jornalismo

Artur Duarte

João Miguel Tavares

A Justiça e o jornalismo

Hoje na sua crónica habitual no Público JMT discorre a propósito de uma entrevista de Dias Loureiro, sobre a justiça e o jornalismo, insinuando que o facto de a entrevista de Dias Loureiro ao DN só ter sido possível pelo facto de Proença de Carvalho (o advogado do arguido agora ilibado) ser presidente da empresa proprietária desse periódico.

Mas mais, insinua que as criticas do colonista do DN, Pedro Marques Lopes e o subdiretor da TSF, Anselmo Crespo, ao despacho do MP que iliba Dias Loureiro por falta de provas, embora mantendo a convicção que o homem é culpado, fundam-se na mesma razão, o facto de Proença de Carvalho ser presidente da Global Média… são pois, todos uns vendidos!

Como não podia deixar de ser, tinha de haver uma referencia ao seu inimigo de estimação, o José Sócrates… e a todos os colunistas que se insurgem contra a demora em acusar o antigo primeiro ministro. Para JMT isso é normal e com toda a certeza para ele, bastaria os indícios publicados no Correio da Manhã para condenar o homem ao degredo ou em alternativa à pena capital, como muito bem defende esse democrata impoluto chamado Erdogan.

Critica veementemente aqueles que não concordam com a inversão do ónus da prova no enriquecimento ilícito, na não introdução da delação premiada (mas não será isso que o MP concedeu ao Bataglia?), com a simplificação de prova em casos de corrupção (induzo que para JMT, bastaria que o procuradores Rosário ou a  Cláudia Porto tivessem a convicção da culpabilidade dos arguidos para que os mesmos fossem condenados), na demora das investigações e nas fugas ao segredo de justiça, escarrapachadas nas primeiras páginas dos órgãos de informação convenientes. Isso sim, era uma Justiça honesta. Institucionalizava-se uma nova forma de bufaria e as condenações seguiam os critérios do Correio da Manhã e outras publicações sérias, pois pelo visto os que não estão de acordo com o JMT são todos uma cambada de corruptos.

Podemos ter sérias suspeitas sobre o comportamento do Dias Loureiro, do Sócrates, do Vara e tantos outros, mas isso não nos dá o direito que os condenemos na praça publica, que emporcalhemos os seus nomes durante anos e anos, e que se demore tempos infindáveis em investigações que muitas vezes dão em nada, só um tribunal que se pronuncie e condene com base em provas irrefutáveis pode desempenhar esse papel.

Portanto meu caro JMT, se a sua visão sobre o que é a Justiça é a que avoga neste artigo, admito poder aos seus olhos, ser cúmplice daquilo que designa ser o estado moralmente miserável em que nos encontramos. Mas também lhe digo que não aceito que, negando os bons princípios do direito, não haja o risco de se cometer barbaridades, mais parece-me que o inverso é mais plausível.

10
Abr17

1704 Carta para a menina Cantarinha

Artur Duarte

Para:

Menina Cantarinha Martinha

Em parte, incerta

Tugalândia

 

 

Lismoira, 10 de Abril do ano sem graça de 2017

 

Menina,

Antes do mais deixe-me dizer-lhe quão aprecio a sua performance no seu novo papel de estadista.

Acho que o Blogue melhorou muito desde que a menina assumiu o cargo de patroa única, a sua mensagem, embora não defira em muito com a do camarada Gironove, passa muito melhor, o que não é de estranhar, dada a sua costela de artista.

Digo-lhe sinceramente que gostava de viver num país que idealiza,

- Trabalhar, apenas 30 a 35 horas por semana,

- Poder reformar-se talvez aos 50 anos (não percebi se é essa a idade, mas presumo que sim…),

- Ter um mês inteirinho de férias, mas não Fevereiro (tem poucos dias), Julho e Agosto está bem, 31!

- Introduzir mais dois feriados no calendário, o 25 de Outubro (dia dos meus anos) e o 13 de Maio (todos os anos em que o papa não venha a Fátima).

- A segunda e terça feiras de carnaval serão consideradas feriados por usucapião,

- Instituir como feriado o dia de anos do próprio, os anos dos ascendentes, descendentes, companheiros, companheiras e porque não, o dos amigos chegados,

- Dois anos de licença de maternidade e paternidade, pagos pelos patrões capitalistas, ou pelo Estado explorador,

- Um país sem desemprego, onde todos os excedentários iriam trabalhar para o Estado, acabando dessa forma, com a precaridade e a exploração.

- Um salário mínimo indexado (pelo menos 10%, o ideal já sei que me vai dizer, seria 12,5%...) ao vencimento ilíquido e bónus do Mais Xia

- Os bancos nacionalizados e capitalizados com dinheiro público,

- Os transportes públicos seriam tendencialmente de borla, tendo o desconto de cartão jovem validade até aos 40 anos e para os idosos contariam a partir dos 50 anos e três meses (um preciosismo),

- Na educação deixava de ser obrigatório pagar propinas, os livros passavam a ser de bola e davam uma lousa a cada aluno, para fazer os deveres,

- os exames, fomentadores do individualismo, seriam  abolidos em todas as escolas

 - Todos os Anos os funcionários públicos veriam a sua categoria subir um escalão, e quando atingissem o topo, passado um ano seriam reformados com o salário por inteiro.

- A cultura seria grátis e os artistas seriam como a menina, pagos pelo Estado.

- Os financiadores da república seriam proibidos de cobrar juros, e os empréstimos seriam feitos a perder de vista,

Bem sei que vai ter grandes dificuldades em convencer os teimosos do Tostas e do Sem Tino, sempre amarrados a compromissos com o grande capital estrangeiro (citação do Gironove), para a bondade e exequibilidade das suas propostas, mas vale a pena tentar, senão questiono, porque não põe a fasquia mais alta e não se transforma numa Tripas tugalesa?

Já viu, a Cantarinha a primeira ministra, a Maresia a presidenta, a mana Morte e Água a ministra das Finanças, a Aninhas Papoila do Sindicato como ministra do Trabalho e o Nogeira na Educação! O paraíso na terra.

Não se esqueça de explicar onde e como vai buscar o carcanhol, será que os investidores na nossa divida pública, com as novas condições, vão continuar a financiar? Já sabe que tem de excluir a hipótese de recorrer às nossas imensas reservas de petróleo, já que por força do impacto ambiental a sua exploração está proibida; nem às jazidas de ouro e diamantes de Trás-os- Montes.

Esperando que a minha epístola possa merecer o interesseiro da menina, subscrevo-me do alto da minha consideração e estima,

 

Eça Valente Piçarra

10
Abr17

1704 Carta ao Ex-1º Patos Fedelho

Artur Duarte

Para,

Ex-Primeiro

Patos Fedelho

Palácio das Lapas

Lismoira

 

Caro, ou caríssimo, conforme a avaliação que cada um fizer da sua performance enquanto primeiro, excluo a hipótese de barato por uma questão de justiça,

 

Tenho ouvido atentamente os seus comentários ao que se vai passando aqui pelo burgo. Se estivesse ausente do país como muitos dos piegas que Vossa Excelência fez o favor de despachar para a estranja, diria ao ouvi-lo que estaríamos numa situação deplorável, angustiante, quiçá próxima de uma guerra civil. Tudo corre mal, e o pecado original não derivou com certeza de qualquer maçã que a Lulu Alvo Queca o tenha obrigado a trincar, mas do malfadado Tostas, emissário do Mafarrico que em pouco tempo destruiu o Éden que minuciosa e eficazmente tentou construir durante quase um lustro.

Compreendo a sua angustia e eventual azia provocada por uma qualquer “Úrsula” do Bloco que lhe tenha dado cabo dos estomago, mas caramba há coisas que carecem de algumas explicações, que o senhor ou o seu ajudante Montetrengo, têm insistentemente vindo a solicitar, pois certamente, pretende relembrar alguns assuntos, que possam ter sido limpos da sua memória pela menina Amnésia, uma tipa que pelos vistos o faz perder a cabeça.

Vem isto a propósito do Mocho Novo, que foi doado pelos Geringonços à Estrela Luar, súbditos do Danado Trampa. Essa doação, cujo embrulho (ou embrulhada?) contém, além dos bens do Balanço, um voucher de gastos até 3,9 mil milhões de aéreos (tantos zeros!) que os felizardos podem utilizar em qualquer estabelecimento do Estado a que nós chegámos – ah! E não deram tudo! Reservaram 25% para um eventual folar de uma próxima Páscoa.... Realmente, são uns verdadeiros incompetentes, pois por aquilo que percebi, aquilo que o meu amigo queria era que despachassem tudo, deixando de apadrinhar a instituição! Não diz qual seria a sua alternativa, que presumo não deve ser idêntica à apresentada pela Cantarinha e pelo Gironove, mas fico na dúvida.

Mas caríssimo (vai ver que tenho razão) senhor, se deixar de se enrolar com a menina Amnésia, recordar-se-á, que quando o seu governo, com a prestimosa colaboração do Carlitos Costas Largas, tomou a decisão de solucionar (sinónimo de resolver) a questão da Caixa dos Espíritos, conta a lenda que mandaram toda a caca da defunta instituição para um Mocho cheio de caruncho ( em muito mau estado), e o presunto, os bifes e os “xóriços”, foram integrados numa nova instituição o Mocho Novo, que além de ficar só com carne da perna tinha a gestão do negócio… Para gerir chamaram um estrangeirado, o Escroque da Unha, ultracompetente, da linha e estirpe do Tony Corta Ozono, que fez o favor de sair do Bresite para nos vir aturar. Portanto nada fazia prever , que o coiso em tão conceituadas mãos, viesse a correr mal… contudo, confesso que fiquei com alguma comichão, talvez provocada por uma pulguita, que inviabilizou, ainda durante o seu consulado, a venda promovida na altura pelo seu secretário para as pechinchas, o Serginho Matreiro. Presumo que tenha sido um percevejo, que motivou aquela necessidade do Carlitos Costas Largas, ferrar o calote aos ditos investidores institucionais, remetendo para a sargeta (leia-se Mocho Carunchoso) mais de 2.000 milhões de papel, é obra! Se o Mocho era tão bom, não aguentava com esse encargo, a uns senhores institucionais – gente importante, de alta catagarice, que não convinha hostilizar, foi uma maçada algo não estaria a correr como o programado nas folhas do Excel… consta que os senhores Institucionais ficaram muito zangados, mas com toda a certeza a culpa foi dos geringonços!

Falhada que foi a primeira tentativa de se ver livre deste assunto tão desagradável, felizmente o Costas Largas, teve o bom senso de não deixar o Serginho Matreiro no desemprego e vai daí nomeou-o como impingidor do Mocho Novo, agora a soldo do Banco da Tugalandia; foi um certificado de garantia que as coisas não iriam correr bem!

Ainda estou para perceber porque é que o Mocho Novo não vale hoje pelo menos os 3,9 mil milhões que o meu caríssimo amigo lá pôs, mais os 900 milhões dos outros mochos, que raio de calamidade terá limpo tanta massa em poucos meses? Será que o Mocho Novo seria tão bom como o cantaram? Já sei que escuso de lhe perguntar, pois por força do “delite” da menina Amnésia, estes acontecimentos devem ter-se apagado da sua memória, e depois, sei que o meu amigo sempre deu pouca importância ao assunto, como aliás referiu a sua amiga Sonsinha Tristes, como diria o Ai Jasus, essas minudencias eram pinotes para Vossa Excelência… e como eram os mochos a pagar, a coisa passava-lhe ao lado, isto, apesar de ter sido o seu governo a adiantar a maior parte da massa, coisa pouca, pois vendeu o crédito bem vendido, só que pelos vistos os clientes não estão muito a fim de pagar, o negócio foi ótimo, só que os clientes aproveitaram-se da situação (sei que releva o facto de a sua saída do posto, ter ajudado ao golpe!) para ferrar o calote, e como quem vem atrás fecha a porta a culpa é dos geringonços.

Ás minhas recomendações à menina Amnésia, do sempre ao seu dispor,

Eça Valente Piçarra

10
Abr17

1704 O cão didático ao Porto

Artur Duarte

O cão didático ao Porto

Já atrasados para a cerimónia da apresentação do candidato a maior do Porto, o Patos Fedelho voava sentado no banco de trás, habituou-se de tal forma quando era primeiro que agora não quer outra coisa, quase sempre com de costume agarrado ao telélé, ia, de onde a onde, comentando com o “chauffeur”, uma ou outra incidência da viagem, ou soltava algum comentário relativamente aos seus adversários, quer externos quer internos.

- Bem, tenho de ligar para o Morcão Antonho, para ver se ele me dá umas dicas sobre o que dizer na cerimónia. Não conheço minimamente o Avaro dos Prantos Alpeida, e preciso de saber o que ele pode trazer de novo para o debate citadino. Confesso, caro Midões (o motorista), desde que deixei de ser primeiro, deixei de receber, porque não ma dão, muita informação relevante, parece que anda por aí muita gente com vontade de me fazer a folha.

Dito isto pegou no sei Ai-Phode, e ligou ao Morcão.

- Estou Morcão, aqui é o Patos Fedelho,

- Já deu para perceber, respondeu secamente o Morcão Antonho:

- Ora diga lá o que quer de mim…

- Olhe estou a pedir-lhe ajuda, como um homem do Norte normalmente bem informado… sabe vou para a cerimónia de apresentação do nosso candidato ao Porto e gostava de saber o que posso dizer para apoiar o homem…

- Talvez se se mantiver calado, possa ajudar.

A chamada não estava boa, pelo que o Patos Fedelho não entendeu bem a resposta…

- Disse o quê?

Embarrilado no transito, o Morcão respondeu…

- Está tudo parado!

Em face do que julgou ser a resposta, o Patos Fedelho apressou-se a agradecer, desligar e comentou com o Midões,

- Este Morcão é muito perspicaz… já sei o que vou dizer; no Porto está tudo parado, a presidência do Roi Toupeira, tem sido um desastre para a cidade, limita-se a gerir o que o Roi Pio lhe deixou, é como o Partido da Xuxa, uma cigarra… Ai se ainda fosse primeiro!

- Midões liga para o partido e pede que convoquem o Pio para a cerimónia, vou entalá-lo! Vai sentar-se aqui à direita de Deus pai, a apoiar o meu cão didático…

 

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